sábado, 25 de maio de 2013

Te tocar

Como eu queria tocar no teu corpo
Como eu dedilho os acordes desta música
Cada centímetro de tato em cada cheiro e contato
O teu corpo é um perfume diferente em cada espaço

Dona dos mais traiçoeiros olhares,
Arrancou de mim sem piedade
O coração a quem eu nunca prometi
Ao subir e descer das notas
Caminho pelos teus contornos e nesta prosa
Imagino arrancar o arrepio de ti

Clézio Facundo.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Foi como te vi passar


E esse abraço que veio que nem raiz
Foi como alcançar o infinito
Ofuscou em mim
Por reflexo seu
Pelo fundo do seu olhar
Como um barco a vela
E o vento que o conduz
A paixão é assim
É te ver passar
É te ver crescer
É de longe te observar

terça-feira, 16 de abril de 2013

Imperfection


Come to me
Come to me
I have things to say
Pay attention
My things
Things from the heart
Things I don't want to take with me anymore
The measure you gave me I give you back
And if its enough
For me to go on
You can even underestimate everything I said
You may even underestimate everything I said
But I haven't changed
I don't love you anymore
And if its not enough
Take my words
I even wouldn't change
I wouldn't be as perfect as you wanted
I needed a mistake to beg you forgiveness
I needed to be imperfect
You couldn't handle so much perfection
Look into my eyes
And tell me
I'll never gonna change
Wish it
I'll be happy then
I don't wanna win your heart again
I don't wanna meet you again
I would never change for you
I wouldn't change
You couldn't handle so big perfection



Clézio Facundo.

16/03/03
Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 28 de março de 2013

O valor de um abraço


Há se eu pudesse calcular o valor de um abraço.

Tem abraços que são envergonhados, são aqueles de ladinho que vem sem querer chegar, os mais baratinhos do mercado que parecem ser importados, são aqueles que não foram cultivados ainda com a amizade, mas que se valorizarão com o tempo.

Existe também o abraço chamado abraço de homem, que mostra que sou forte como você, parece que nos dizem: - Você sempre será o melhor.

Ao contrário do abraço tímido, tem o que nos sufocam e faltam quebrar as costelas, é o abraço coletivo, esse abraço é um pouco mais diferente, é o abraço do povão parece que é barato, mas não tem preço.

Mas existe o abraço que desacelera, é o chamado abraço terno, sem interesses e sem barganha é um abraço raro que não encontramos em qualquer roda de amigos, é um abraço silencioso que só sentimos o suspirar e os batimentos do coração.

Existem abraços que nos dividem a dor, mais conhecidos como abraço dividendo, não imagino o que você estar passando, mas vim aqui pra dividir essa dor com você.

Outros que nos tiram do chão, são os abraços de reencontro, abraços potencialmente esperados.
Por outro lado os que nos dão o chão, o abraço alicerce, esse abraço vem na hora em que precisamos trocar de livro por não conseguir virar a página da vida. Sempre existe alguém que aparece para nos dar esse chão.

Abraços que nos fazem sentir que somos uma só carne, mais conhecido como abraço Eros, é o abraço do desejo, ele queima como fogo que nem águas torrenciais conseguem apagar, ele unifica corpo e a alma, mente e espírito. Ele tem o dom de trazer a vida.

Há também o abraço que nos deixam marcas, são os mesmos que nunca daremos mais. - Quando te abracei pela última vez, senti pela última vez o seu coração mais perto do meu. É o abraço rompido, o abraço para nunca mais se dar, deixa consigo o perfume da saudade e a desesperança do reencontro.

Abraços que nos consolam, é o abraço que enxuga as nossas lágrimas, nos fazem mais forte e nos empurram pra frente.

Mas existe um abraço que nos traem, é o abraço que rouba de nós o nosso “eu” e a nossa subjetividade, são abraços que até tem boas intenções de acertar, mas nos traem pelo conformismo, eles nos tiram do palco da vida onde somos protagonistas e nos oferecem uma cadeira nos bastidores.

Não posso esquecer do abraço de perdão, é o abraço que recebemos quando menos merecemos, ele é um abraço dolorido ele é retirado das entranhas da alma de quem dar, ele é dom e vem do coração, ele é a esperança de que eu acredito em você mais uma vez mesmo desacreditando. Ele não é fácil de se dar, ele requer um tempo um preparo. Ele não é ensinado em nenhuma escola, faculdade ou conservatório, ele é um dom, e se você não recebeu esse abraço de alguém que muito precisava, não a julgue, e se você não deu esse abraço tenha a certeza que um dia alguém talvez o negará.

Existe também o abraço que nos faz voltar pro colo, mais conhecido como abraço de mãe, esse abraço é o mais puro de todos os abraços ele não tem valor algum porque não é calculável, ele é de graça ele tem cheiro de leite e gosto de maçã raspada, ele faz engolir o choro e acalma o coração é o mesmo que corrige como um banho de água morna e que afaga e nos protege do frio de nossas indecisões.

O valor de um abraço estar em estarmos mais juntos na força e mais perto nos corações. Não importa qual seja o seu, abrace-me, pois o teu abraço é o meu sustento, é sentir Deus mais perto. E se você me ver por algum lugar não esqueça do meu abraço, quero saber qual é o seu. Talvez o seu abraço seja um abraço desconhecido, daqueles que fazem milagres.

Clézio Facundo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

A Fraqueza de DEUS





O que mais me surpreende em Deus não é o seu poder, mas a sua fraqueza em se despir do seu trono de glória e escolher ser gente igual a eu e você através da vida de Jesus Cristo, em escolher sentir dor como nós sentimos, em ser traído pelos seus amigos como nós também fomos, em ser humilhado como fomos também, em ser desamparado, ser esquecido, ser vendido. Homem de dores que sabe o que é padecer. Mas Ele escolheu sentar na mesa dos pecadores, em comer na casa de um cobrador de impostos em andar rodeado de amigos.
A fraqueza de Deus foi escolher ser gente igual a eu e você.

sexta-feira, 22 de março de 2013

A quem entreguei meus olhos?

Clézio Facundo.

Vida de Bombeiro

Tem coisas na vida que não tem preço. Ontem, em uma ocorrência, tive o privilégio de conhecer uma pessoa mais que especial, que até de certo modo, não seria a melhor hora para tê-la conhecido. Quando por alguns segundos refleti na sua história de vida e nas brincadeiras que ela mesma fazia no percurso de Quixadá para Fortaleza, conheci uma história de vida diferente de todas e me envolvi naquela situação. Luíza Pereira, de Morada Nova, com 86 anos, é a última sobrevivente da seca do 30. Famosa por seus documentários na TV Jangadeiro, ao mesmo instante que a observava fiquei a pensar... Pensei em quantos amores e desamores passaram pela sua vida, de tantos momentos de dor ela possa ter sentido. A vida foi muito cruel com Luíza, perdeu toda a sua família na seca, não tendo mais nenhum parente hoje mora sozinha e é assistida por uma “cuidadora” sendo a última a contar essa história. Luíza com uma fratura de fêmur toda imobilizada naquela maca, não perdeu o senso de humor. No mesmo instante que a enfermeira Bethy, para tentar distraí-la da dor que sentia com o balançar da ambulância, culpava o médico e eu que estava a conduzi-los, e falava ironicamente: - Dona Luíza dê um carão neles, dona Luíza”. Todo gemido dela doía em mim também, pois em saber que por mais que me esforçasse para ir devagar e com cautela, não impediria a dor que ela sentia com o balançar do carro. Senti-me como mais um dentre tantos que lhe trouxeram dor nessa vida. Mas ela gentilmente disse: “ vou dar uma pisa em você e no médico, se preparem”, não me contive. Talvez era o que eu mais precisaria, uma “pisa” de alguém que realmente teria competência para me fazer sentir dor. Ela, sim, saberia o que é dor, o que é padecer. Fui abençoado hoje.
Quando me abraçou pela última vez, senti pela última vez o seu coração mais perto do meu.

Clézio Facundo

terça-feira, 12 de março de 2013

Por que escrevo?

Um dia me perguntaram por que escrevo e respondi: - por causa do cheiro.
Saudades do que vivi, do que não vivi e do que deixei de viver. Lembro quando criança quando papai ia me beijar antes de dormir, aquela barba espinhenta, aquele cheiro de pasta de dente, de quando chegava de viagem com aquele cheiro de combustível queimado, pois meu pai era maquinista. Das lembrancinhas que colocava ao lado da cama e quando acordava era aquela felicidade. Saudades de andar no tanque da moto com Ele, o cheiro da gasolina, e hoje todas às vezes quando abasteço o carro eu me lembro Dele.
Saudades de como mamãe era briguenta, estressadinha e quando se acalmava ficava um amor. A forma como me tratava carinhosamente chamando de "filhote" e até hoje me chama. Daquele arsenal de cremes e perfumes que ela tinha e alguns ainda sinto o cheiro quando ando pelos cantos.
Saudades dos meus colegas de infância daquele cheiro de lancheira, de suco de maracujá com pastel, daquele tempo que não precisava se preocupar com contas, trânsito, amor, solidão...
Tudo era muito perfeito, tudo era diversão. As traquinagens de menino, as bobagens que falei que até hoje não esqueço. Dos cultinhos da salinha de criança na igreja, de quantas vezes eu levantava a mão pra "aceitar Jesus" depois que o pastor fazia o apelo. Todos da igreja achavam engraçado, acho que eu me comovia com todas as pregações e hoje eu entendo que não era a aceitação de Jesus, pois isso é somente uma vez, mas a aceitação de que sou dependente Dele, coisas que pouco vejo hoje, talvez precisamos da ingenuidade de criança para entender. Saudades da inocência de criança, de como eu era apaixonado por uma professora que não tive mais noticias.
Saudades do dia que sai de casa com 17 anos, pois foi o marco do corte do cordão umbilical.
Aquela realidade sombria, aquele frio na barriga, não dá mais pra voltar agora é só você nesse mundão. Digo que não existe cola mais resistente do que o cheiro. Ele marcou muitos momentos da minha vida, amores, desamores, amizades, viagens....
Escrevo porque sinto saudades. Saudades boas que valem a pena lembrar, saudades que tenho que afogar para não ter que chorar, escrevo porque sinto saudades do beijo do abraço do cheiro do amor do "eu" que foi sequestrado de mim.
Escrevo porque as palavras me acalmam e só não escrevo mais, pois tenho que viver o presente para que um dia eu possa voltar a escrever.

Clézio Facundo

domingo, 10 de março de 2013

Desacelerar


Pretendo a partir de hoje viver por muitos anos
Desacelerar até quase parando
Prefiro não tocar na mesma tecla monofônica insípida
Pois tenho outros acordes para me deliciar nessa vida
Prefiro o canto dos pássaros, prefiro as cafeterias e os supermercados
Eles transmitem alegria
Prefiro ver gente bonita, que me inspire e me excite
Que me inspire sensibilidade e poesia e me excite a amá-las
Adeus nostalgia
Prefiro na areia da praia as micoses as frieiras e os bichos de pé
Pois insistem em caminhar comigo
Não prefiro bebidas geladas, mas as mais quentes e apimentadas
Também prefiro um café, um bom vinho e um canapé
Não desejo fé, desejo ver o concreto acontecer
Prefiro as noites curtas e os dias longos
Prefiro não chegar em casa tão cedo
Prefiro uma chuva, um amasso um beijo
Um abraço de desapego

Clézio Facundo

Todo homem precisa de uma mulher e é nas horas difíceis que mais somos convictos da sua dedicação, porque é como um jogo de xadrez, a rainha sempre protege o rei.
Dedico toda a minha sensibilidade e presteza a vocês, musas de toda inspiração.
Feliz dia da Mulher!

Clézio Facundo.
Em Deus nós temos uma licença para descansar.
É preciso parar e cuidar do jardim. A felicidade é a caminhada entre pedras, espinhos, campos, jardins e colibris, conquistas e derrotas, e não somente o endereço de chegada.

Clézio Facundo

sábado, 9 de março de 2013

O que falar de você?
Pra quê falar
Sua beleza extirpa as palavras até de um poeta
Acelera o coração de um bradicárdico
Beleza inspiradora
Por ser exata
Não cabe em sí
Encanta
Revela-se
Não te chamo de linda
Mas de formosa

Clézio Facundo.                    


Amor de seio


Somos amantes muito antes do primeiro beijo
O futuro muito antes da lembrança do passado
A paixão maior que ontem e menos que amanhã
Somos frutos do acaso e intervenção do livre arbítrio
Somos canção e poesia
Bênção antes da fé
Somos reencontro de uma partida
Uma lembrança tênue do que vier

Clézio Facundo